Pelé
TEMPO REI
14.08—21.09
Texto de Xico Sá
O Rei é a origem
Por Xico Sá
Ele segue onipresente, mesmo na primeira Copa sem a presença física da sua majestade. O Rei é a origem, o daguerreótipo, primeiro e único, o feixe de raios em um único ponto de foco, o claro-escuro, o milagre da persistência da retina. Observe, há uma aura que segue a criatura em todas as fotos, assim nos programamos para vê-lo, na velocidade do jogo ou da luz. “Pelé: Tempo Rei” nos revela uma questão de eternidade, ao consolidar a ideia de que não existe mais o limite entre o atleta e o homem, o dentro e o fora de campo. Há Pelé, uno, e pronto. O cara é um blues em forma de retrato, um flash espiritual, o próprio som do clic, o de peito aberto, o de perfil mitológico, o xodó da bola, o colhedor de louros, o dos mil gols, o da raquete, o din-don de Celeste e Dondinho, o amoroso, o radical-chique do “I love New York”, o cosmopolita filho de Três Corações que paira sobre o mapa-mundi, a figura que rege a cadência cronológica do amadurecimento. Aqui reinam, sob curadoria da MaPaFOTO, os Pelés de Alexandre Schneider, Antonio Milena, Bob Wolfenson, Claudia Jaguaribe, Claudio Edinger, Domício Pinheiro, Johnny, Luis Alberto Andrade, Marcio Scavone, Mario Castello, Mauricio Nahas, Otto Stupakoff, Paulo Fridman, Paulo Vitale, Sam Robles e Sergio Jorge. Porque só a fotografia conseguiu parar Pelé. E cada uma das vezes em que foi capturado, por artistas célebres ou anônimos repórteres de beira de campo, aconteceu um milagre estético. No caos de todas as informações e representações midiáticas, Pelé sempre conseguiu ser a IMAGEM. A figura que a retina, no lampejo, já gruda no inconsciente – sem data de validade. Vale, no caso, a profecia do craque da pop art, Andy Warhol. Ao retratá-lo, em 1977, ele disse que a fama do rei do futebol não duraria 15 minutos (como previra para os humanos comuns), mas sim 15 séculos. No encontro em Nova York, o atleta estava no final da sua carreira, atuando pelo time do Cosmos. Cada clique de um fotógrafo sobre o camisa 10, Warhol sabia disso, era um instante precioso na construção desse panorama mitológico. Pelé, no seu Tempo Rei, é o gol do olho para o triunfo da memória.

